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Grupo criado pela Fiesp discute os rumos da economia do país

Grupo criado pela Fiesp discute os rumos da economia do país


O Conselho Diálogo pelo Brasil reúne cerca de 50 presidentes e acionistas dos maiores grupos privados do país

A situação da economia foi o principal assunto da videoconferência realizada nesta quinta-feira (14) com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o Conselho Diálogo pelo Brasil. O grupo foi criado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e do qual fazem parte cerca de 50 presidentes e acionistas dos maiores grupos privados do país.

“Temos preocupação com a crise da saúde e com a crise da economia, que acaba gerando uma crise social. Com os devidos cuidados é possível retomar gradualmente atividades”, disse Skaf, que mencionou o trabalho elaborado pela Fiesp que estabelece protocolos para uma retomada segura.

Em sua fala, Bolsonaro concordou. “Existem empresários que estão conseguindo segurar empregos, mas estão dando sinais de que vão ter que demitir também, se a quarentena se estender”, disse o presidente. “Temos que nos preocupar com a vida, mas também temos que nos preocupar com o emprego. A roda da economia está indo para a estagnação”, alertou.

O trabalho realizado pela equipe do governo nas áreas tributária e trabalhista, foi elogiado por Skaf assim como elogiou as medidas de concessão de crédito colocadas em prática pelo Ministério da Economia. Mas ele fez um apelo para que outras ações que possam beneficiar o setor produtivo também sejam tomadas.

Skaf destacou pontos de atenção que podem garantir fôlego para as empresas, como o uso dos créditos tributários acumulados para pagamento de imposto, a liberação da linha de crédito para folha de pagamento para empresas que faturam mais de R$ 10 milhões e a concessão de capital de giro para os setores produtivos.

“Aplicar capital de giro nas empresas é fundamental, mas esse dinheiro não está chegando no caixa delas”, disse.

O presidente da Fiesp também demonstrou preocupação em relação à insegurança jurídica que pode ser gerada caso a Covid-19 entre para o rol de doenças ocupacionais. Também destacou que a burocratização vem dificultando a execução de projetos de infraestrutura promovidos por empresas privadas e que podem ter um papel fundamental em meio à crise provocada pela Covid-19.

“Para que os investimentos fluam, precisamos implementar fast track na aprovação de projetos”, disse Skaf. “Estamos falando de projetos que não precisam de dinheiro público e que, com a colaboração de todos, vão nos ajudar a sair dessa crise”, explicou.

 

Retomada das atividades

 

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a falta de alinhamento entre os poderes estadual, municipal e federal em relação à execução de um plano de retomada das atividades e alertou para a ocorrência de um agravamento da crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus.

Os empresários também cobram esse alinhamento e acreditam que é possível  retomar as atividades preservando também a saúde.

Empresários como Roberto Fulcherberguer, CEO da Via Varejo, e Carlos Sanchez, presidente da EMS, contaram que suas empresas mantiveram o funcionamento sem que houvesse um número expressivo de funcionários contaminados pela Covid-19.

“Dos 5 mil funcionários que continuaram trabalhando na organização, apenas 4 tiveram coronavírus”, disse Carlos Sanchez. “Testamos rapidamente, e não houve maiores complicações”, acrescentou.

Em 18 de abril, a Fiesp lançou um protocolo de retomada das atividades que orienta vários segmentos da sociedade a se estruturarem para que o retorno à normalidade ocorra de forma segura. O documento, que faz um resumo das melhores práticas adotadas internacionalmente e detalha protocolos de prevenção da Covid-19 e cuidados com a saúde em domicílios, transportes e vários setores produtivos, foi entregue a prefeitos, governadores e ao Chefe da Casa Civil, general Braga Neto, que também estava presente na reunião e se comprometeu a estudar o material junto com o Ministério da Saúde.

 

Brasil pode surpreender

 

Ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, ouviu atentamente os cases compartilhados pelos empresários e reforçou que tem observado que “os protocolos adotados em várias indústrias têm salvado vidas, mantido as pessoas ocupadas e a economia brasileira pulsando”.

Ainda segundo o ministro, as exportações brasileiras seguem fortes e o país pode surpreender o resto do mundo com uma recuperação em breve.

“O Brasil é o único país do mundo que está aumentando as exportações. Elas estão 6% acima do que foi no primeiro quadrimestre do ano passado”, disse Guedes. “Setores chave como o da construção civil estão trabalhando a todo vapor. A mineração e o agronegócio estão crescendo. Temos a convicção de que o Brasil poderá fazer uma recuperação em V e surpreender todo o mundo”, completou o ministro.

 

Além de Paulo Guedes e do general Braga Neto, participaram da videoconferência o secretário-geral da Presidência, Jorge Oliveira, e o secretário de Assuntos Estratégicos, Almirante Rocha. No total, mais de 400 conselheiros da Fiesp e do Ciesp também acompanharam a transmissão.

*Com informações da Federação da Indústrias do Estado de São Paulo